Prevenção em saúde esbarra em modelo e engajamento, aponta pesquisa

Apesar de amplamente disponíveis, os programas preventivos nos planos de saúde ainda são pouco utilizados no Brasil. Levantamento da Bain & Company revela que três em cada quatro beneficiários sabem da existência dessas iniciativas, mas apenas um em cada quatro efetivamente participa. O dado evidencia um desafio estrutural do setor: mais do que acesso ou informação, a adesão depende de como o cuidado é organizado e direcionado.

De acordo com dados da Alice, operadora focada em empresas, o caminho para ampliar a prevenção passa por contato proativo com o paciente e coordenação contínua do cuidado. A avaliação ganha relevância especialmente em abril, mês marcado por campanhas como o Dia Mundial da Saúde, que, segundo especialistas, têm impacto limitado na mudança de comportamento.

A explicação, segundo médicos de família, está na forma como o sistema funciona. Sem um acompanhamento estruturado do histórico do paciente e sem iniciativas ativas para identificar exames em atraso, a responsabilidade recai integralmente sobre o indivíduo.

O líder médico da Alice, Daniel Knupp, afirma que a prevenção eficaz vai além da simples oferta de exames. “É preciso identificar o que está pendente para cada pessoa, explicar a relevância e facilitar o acesso. Quando o cuidado é coordenado, deixa de depender da memória ou iniciativa individual”, explica.

Knupp também faz um alerta sobre excessos. Segundo ele, incentivar exames sem critério clínico não melhora a saúde e ainda pressiona os custos do sistema. “O que funciona é a busca ativa qualificada, baseada em evidências, identificando quem realmente precisa e agindo de forma proativa”, diz.

Na prática, os resultados desse modelo já aparecem. Dados da operadora indicam que, em 2025, 61% das mulheres elegíveis realizaram mamografia e 62% fizeram o exame de papanicolau conforme protocolo. Os números são resultado de um modelo de atenção primária com médicos de família que acompanham os pacientes e entram em contato quando há pendências nos exames preventivos.

A tecnologia tem ampliado esse alcance. Parte dos rastreamentos foi identificada com apoio de inteligência artificial, sempre com supervisão médica. “A IA aumenta nossa capacidade de identificar quem precisa de cuidado e agilizar o acesso, mantendo a lógica centrada no paciente”, afirma Knupp.

Outros indicadores reforçam os impactos do acompanhamento contínuo: 69% dos membros com hipertensão mantêm a pressão controlada, acima da média nacional de 54%. Já a taxa de internação por diabetes é de 37 por 100 mil membros, cerca de um terço da média observada em países da OCDE.

Para o especialista, os dados confirmam que a prevenção efetiva está diretamente ligada ao monitoramento ativo. “Detectar precocemente muda o desfecho dos tratamentos e fortalece o engajamento das pessoas com a própria saúde”, conclui.

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