Lucro das operadoras de saúde cresce em 2025, mas depende mais de aplicações financeiras do que da atividade assistencial

O lucro das operadoras de planos de saúde atingiu R$ 23,8 bilhões em 2025, mas o resultado foi puxado principalmente por ganhos financeiros, e não pela operação assistencial. É o que revela estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), ao apontar que 62% do lucro do setor teve origem em aplicações financeiras, favorecidas pelo alto patamar da taxa de juros no País.

De acordo com o levantamento, o resultado financeiro das operadoras somou R$ 14,8 bilhões no período, impulsionado pela taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível desde 2006. Esse cenário elevou a rentabilidade das aplicações, que alcançaram cerca de R$ 134,5 bilhões em recursos acumulados ao fim de 2025.

O superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna, destaca que o desempenho positivo não reflete necessariamente uma melhora estrutural do setor. Segundo ele, com a tendência de queda dos juros já iniciada em 2026, a contribuição das receitas financeiras deve diminuir, trazendo novamente para o centro do debate a eficiência operacional, a qualidade dos serviços e o controle de custos.

Apesar de frequentemente classificado como recorde, o lucro de 2025 não é o maior da série histórica quando corrigido pela inflação. Em termos reais, o resultado fica abaixo dos R$ 24,3 bilhões registrados em 2020. A margem líquida foi de 6,1%, o que significa que, a cada R$ 100 faturados, cerca de R$ 6,10 se transformaram em lucro, um nível considerado positivo, mas que ainda exige cautela na análise por incluir fatores não recorrentes.

Operação volta ao azul, mas desafios persistem

Um dos pontos positivos do estudo é a recuperação do resultado operacional, que voltou ao campo positivo e atingiu R$ 9,9 bilhões em 2025, após três anos seguidos de prejuízo. Esse indicador reflete diretamente a atividade principal das operadoras, o atendimento aos beneficiários, e sinaliza uma melhora no funcionamento do setor.

Ainda assim, o cenário está longe de ser uniforme. A receita total das operadoras chegou a R$ 388,2 bilhões, atendendo cerca de 52 milhões de beneficiários no Brasil. A sinistralidade, indicador que mede o quanto da receita é consumido por despesas assistenciais, recuou para 81,6%, abaixo da média histórica. Porém, a tendência de longo prazo segue pressionada por fatores conhecidos, envelhecimento da população, avanço tecnológico na medicina e inflação médica acima da inflação geral.

Outro dado que chama atenção é a desigualdade entre as operadoras. Mesmo com resultado positivo no consolidado, cerca de 34,5% das empresas registraram prejuízo no último trimestre de 2025. Além disso, as três maiores operadoras concentraram mais da metade do lucro total do setor, evidenciando uma forte assimetria.

Na avaliação do IESS, a sustentabilidade do setor dependerá menos do cenário de juros altos e mais da disciplina operacional, com foco no controle de custos, na eficiência e na qualidade do atendimento.

Veja também
>>> IA e novos modelos de negócio aceleram transformação no setor de saúde
>>> Nova NR-1 exige gestão de riscos psicossociais e pressiona empresas a se adequarem até maio
>>> Bradesco cria Bradsaúde e lança ecossistema que integra planos, hospitais, clínicas e tecnologia em saúde

SOBRE NÓS

A empresa Conhecer Seguros foi criada por profissionais experientes nas áreas de educação, seguros e finanças que, ao contarem com carreiras consolidadas, resolveram se unir para compartilhar conhecimento técnico com o mercado de seguros brasileiro.

top

 WhatsApp: 11 94303-4563 contato@conhecerseguros.com.br