Alta rotatividade e envelhecimento marcam nova fase dos planos de saúde no Brasil

O mercado de saúde suplementar no Brasil vive uma dinâmica intensa de entradas e saídas de beneficiários, ao mesmo tempo em que enfrenta um processo contínuo de envelhecimento da sua base. Nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, o setor registrou, em média, cerca de 1,3 milhão de adesões e 1,2 milhão de cancelamentos por mês, um movimento que evidencia alta rotatividade e crescimento mais moderado do que os números absolutos podem sugerir.

Dados da mais recente Nota de Acompanhamento de Beneficiários (NAB), do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), mostram que o país alcançou, aproximadamente, 53 milhões de usuários de planos de saúde. Apesar da expansão, o avanço ocorre com mudanças relevantes no perfil da carteira, impulsionado não apenas por novos clientes, mas por uma constante substituição de beneficiários.

Ao longo do período analisado, o saldo líquido foi de pouco mais de 1 milhão de novos beneficiários, resultado considerado modesto diante do volume total de movimentações. Tanto adesões quanto cancelamentos representaram cerca de 2,5% da base mensalmente, indicando que o crescimento está atrelado a pequenas variações nesse fluxo.

O superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna, destaca que esse cenário exige uma nova forma de análise do setor. Segundo ele, o aumento da rotatividade, combinado ao baixo crescimento por novos ingressos, reforça a necessidade de entender os fatores que limitam a expansão e o papel dos planos de saúde, especialmente no atendimento à população mais idosa.

A predominância dos planos coletivos segue como uma das principais características do mercado. Atualmente, cerca de 84% dos beneficiários, o equivalente a 44,5 milhões de pessoas, estão vinculados a esse tipo de contratação, sendo a maior parte em planos empresariais. Esse segmento foi responsável praticamente por todo o crescimento recente, com alta de 3,3% em 12 meses. Já os planos individuais e familiares apresentaram retração no mesmo período.

Para Vianna, a movimentação da carteira está diretamente ligada ao comportamento do mercado de trabalho. Mudanças de emprego, por exemplo, podem explicar parte relevante das entradas e saídas, já que muitos vínculos dependem das empresas.

Outro ponto de atenção é o envelhecimento da base de beneficiários. A participação de pessoas com 60 anos ou mais cresceu de cerca de 11% em 2000 para, aproximadamente, 16% atualmente, totalizando cerca de 8,7 milhões de usuários. Apenas entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, esse grupo aumentou em cerca de 260 mil pessoas.

Esse avanço tem impacto direto sobre o setor. Beneficiários mais idosos tendem a utilizar mais serviços de saúde e com maior complexidade, o que pressiona os custos assistenciais e exige maior equilíbrio na gestão dos planos. Enquanto isso, o segmento de planos exclusivamente odontológicos segue em ritmo mais acelerado. Em fevereiro de 2026, o país contabilizou cerca de 35,7 milhões de beneficiários nessa modalidade, com crescimento de 3,7% em 12 meses, desempenho superior ao observado nos planos médico-hospitalares.

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