Reajuste dos planos coletivos pode chegar a 10% em 2026 e manter pressão sobre empresas e beneficiários

Os planos de saúde coletivos devem continuar pressionando o orçamento de empresas e beneficiários em 2026. Estimativas de mercado indicam que os reajustes podem chegar a 10% no ano, percentual superior à inflação oficial projetada para o período. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central em 11 de maio, a previsão do mercado financeiro para o IPCA de 2026 passou de 4,89% para 4,91%.

Embora o aumento estimado para os planos represente uma desaceleração em relação a períodos anteriores, a diferença em relação à inflação geral mostra que os custos da saúde suplementar seguem em ritmo mais elevado. Na prática, isso significa que empresas contratantes e usuários ainda devem enfrentar dificuldade para equilibrar orçamento, cobertura e acesso aos serviços.

A correção dos contratos é influenciada por fatores próprios do setor. Entre eles estão a chamada inflação médica, que envolve o aumento dos custos com medicamentos, equipamentos, procedimentos e novas tecnologias, e a maior utilização dos serviços de saúde. Outro indicador importante é a sinistralidade, que mede a relação entre o que as operadoras arrecadam e o que gastam com atendimentos, exames, internações e demais despesas assistenciais.

Segundo o advogado especialista em direito público e direito de saúde, membro da Comissão de Direito Médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados, Thayan Fernando Ferreira, as operadoras vêm adotando medidas para conter despesas nos últimos anos. “Nos últimos anos, operadoras intensificaram medidas para conter despesas. Houve endurecimento nas regras de reembolso, ampliação da coparticipação e revisão das redes credenciadas. Essas mudanças contribuíram para reduzir o ritmo dos reajustes, ao mesmo tempo em que alteraram a forma de acesso dos usuários aos serviços”, afirma.

O especialista alerta que os contratos coletivos exigem atenção especial, já que não seguem o mesmo modelo de controle aplicado aos planos individuais e familiares. Nesses casos, os reajustes não possuem teto definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS, o que torna ainda mais importante a análise das justificativas apresentadas pelas operadoras. “O beneficiário precisa acompanhar de perto as condições do contrato e questionar aumentos que não estejam devidamente justificados. Mesmo nos planos coletivos, há limites legais e critérios técnicos que precisam ser respeitados”, destaca Ferreira.

Além do percentual de reajuste, mudanças em regras de uso também devem ser avaliadas com cautela. Restrições de reembolso, aumento da coparticipação e alterações na rede credenciada podem afetar diretamente o acesso do beneficiário ao atendimento. Para o especialista, essas medidas não podem tornar o plano inviável na prática. “É importante que o consumidor avalie se essas medidas não tornam o plano inviável na prática. Caso haja prejuízo evidente, é possível buscar revisão administrativa ou até judicial”, afirma.

A orientação para empresas e usuários é manter registro de todas as comunicações com as operadoras, guardar documentos contratuais e solicitar o detalhamento dos reajustes aplicados. A transparência na composição dos aumentos é considerada essencial para evitar abusos e permitir que o contratante compreenda quais fatores estão impactando o valor final.

Apesar da melhora nos resultados financeiros de parte das operadoras após a pandemia, o setor ainda enfrenta desafios, especialmente entre empresas de menor porte. A expectativa é que ajustes regulatórios, jurídicos e operacionais tragam mais previsibilidade aos custos da saúde suplementar. Para os beneficiários, no entanto, o cenário ainda pede acompanhamento constante das condições contratuais e atenção aos impactos dos reajustes no acesso aos serviços.

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