O mercado mundial de seguros continuou em expansão em 2025, mesmo após o ritmo excepcional registrado no ano anterior. Impulsionado pela crescente demanda por proteção financeira, patrimonial e de saúde, o setor movimentou 6,9 trilhões de euros em prêmios, um crescimento de 7,1% em relação a 2024. No Brasil, o desempenho também foi positivo, com alta de 9,5%, reforçando a tendência de fortalecimento da cultura do seguro no País.
Os dados fazem parte de um estudo da Allianz Research, que aponta que, embora o crescimento global tenha desacelerado em comparação aos 9,4% registrados em 2024, o resultado permanece acima da média dos últimos dez anos, demonstrando a resiliência da indústria seguradora.
O seguro de Vida continuou sendo o maior segmento do mercado global, com 2,861 trilhões de euros em prêmios, seguido pelos seguros de Ramos Elementares, que incluem modalidades como automóvel, residencial e empresarial, com 2,320 trilhões de euros. Já o seguro Saúde alcançou 1,688 trilhão de euros.
Nos seguros de Ramos Elementares, o crescimento mundial foi de 3,8% em 2025, refletindo um processo de normalização após o período de forte aumento nos preços das apólices. A América do Norte permaneceu como o principal mercado, concentrando mais da metade dos prêmios globais, embora tenha registrado desaceleração no ritmo de expansão. A Europa Ocidental apresentou desempenho mais consistente, enquanto a Ásia manteve crescimento moderado.
No segmento de Vida, os prêmios cresceram 6,9% em nível global. Segundo o estudo, a desaceleração foi influenciada principalmente pela redução da procura por produtos de anuidades na América do Norte, movimento que havia sido impulsionado pela alta das taxas de juros. Em contrapartida, a Ásia assumiu o protagonismo do crescimento, com destaque para a China, impulsionada pelo envelhecimento da população, elevados níveis de poupança e maior necessidade de previdência privada.
O seguro Saúde foi o segmento de melhor desempenho em 2025, com crescimento global de 12,3%, o maior desde 2014. O avanço foi impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo aumento dos custos médicos e pela maior procura por alternativas à cobertura oferecida pelos sistemas públicos de saúde. Nos Estados Unidos, que concentram mais de 70% dos prêmios mundiais desse segmento, os custos da assistência médica continuam sustentando a expansão do mercado.
O levantamento também destaca que o cenário geopolítico passou a exercer influência cada vez maior sobre a indústria seguradora. A fragmentação da economia mundial aumenta a complexidade dos riscos e exige que as seguradoras adaptem seus modelos de operação, ampliem a análise de riscos geopolíticos e desenvolvam soluções específicas para áreas como infraestrutura, segurança energética e riscos políticos.
No Brasil, o mercado de seguros apresentou crescimento consistente em todas as principais linhas de negócio. Os prêmios totais chegaram a 88 bilhões de euros em 2025. Os seguros de Ramos Elementares cresceram 7,8%, o segmento de Vida avançou 8,6% e o seguro Saúde registrou expansão de 10,4%, refletindo a maior busca da população por proteção financeira e patrimonial.
As perspectivas para os próximos anos seguem positivas. A Allianz Research estima que o mercado global de seguros crescerá, em média, 5,3% ao ano na próxima década, ritmo superior ao da economia mundial. No Brasil, a expectativa é de crescimento anual de 6,6%. As projeções indicam expansão em todos os segmentos. No Brasil, o seguro de Vida deverá liderar esse movimento, com crescimento médio anual estimado em 11,4%, seguido pelos seguros de Ramos Elementares, com 5,5%, e pelo seguro Saúde, com 5,8%.
Segundo o economista-chefe e Chief Investment Officer do Grupo Allianz, Ludovic Subran, a reorganização da economia global está ampliando a importância estratégica do setor. “A fragmentação geopolítica está revertendo muitas das premissas que moldaram a economia global por décadas. À medida que o comércio, os fluxos de capital e a regulação se tornam cada vez mais fragmentados, a resiliência está substituindo a eficiência como princípio organizador dominante. Essa mudança torna o ambiente operacional mais complexo e reforça a importância estratégica dos seguros como instrumento de proteção, investimento e confiança econômica”, afirmou.
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