Embora a maioria das empresas brasileiras reconheça o potencial da Inteligência Artificial (IA), poucas conseguiram incorporar a tecnologia de forma efetiva em suas operações. É o que revela o Estudo de Tendências de Capital Humano 2026, da Aon, segundo o qual 96% das organizações acreditam que a IA criará novas oportunidades e exigirá novas competências profissionais. Apesar desse consenso, apenas 35% já implementaram soluções de IA, enquanto 22% estão em fase de projetos-piloto e 31% ainda se encontram na etapa de pré-implementação.
O levantamento mostra que as organizações estão otimistas quanto à capacidade da IA de aumentar a produtividade, estimular a inovação e transformar os negócios. No entanto, converter esse potencial em ganhos reais ainda depende de superar obstáculos importantes, principalmente relacionados à qualificação de profissionais. Apenas 32% das empresas afirmam conseguir atrair e reter talentos com conhecimentos em Inteligência Artificial.
Outro desafio identificado pelo estudo é a utilização estratégica de dados para apoiar decisões na área de Recursos Humanos. Somente 31% das organizações brasileiras consideram possuir um alto nível de maturidade na gestão de dados de RH, fator considerado essencial para orientar ações relacionadas à contratação, desenvolvimento, remuneração e planejamento da força de trabalho.
Diante desse cenário, as empresas estão concentrando seus esforços em três prioridades: acelerar a transformação digital dos processos de Recursos Humanos, fortalecer a formação de lideranças e o planejamento sucessório, além de aumentar a produtividade dos colaboradores. A pesquisa aponta que essas iniciativas buscam preparar as organizações para um mercado cada vez mais impactado pela evolução tecnológica.
Mesmo com o avanço da Inteligência Artificial, o estudo destaca que as competências humanas continuarão sendo um diferencial competitivo. Adaptabilidade e capacidade de gerir mudanças aparecem entre as habilidades consideradas mais importantes para os próximos três anos, reforçando a necessidade de desenvolver líderes e equipes preparados para um ambiente de constantes transformações.
O head of Health & Talent para o Brasil na Aon, Fabio Martinez, afirma que as empresas já compreenderam o potencial da Inteligência Artificial, mas precisam dar o próximo passo para transformar esse conhecimento em capacidade organizacional.
Segundo o executivo, isso exige investimentos na qualificação dos profissionais, fortalecimento da liderança, uso mais estratégico dos dados e uma proposta de valor aos colaboradores alinhada às novas demandas do mercado. Para ele, as organizações que conseguirem integrar tecnologia e gestão de pessoas estarão mais preparadas para acelerar resultados, aumentar a resiliência e conquistar vantagem competitiva de forma sustentável.
O estudo também evidencia que os desafios vão além da adoção de novas tecnologias. A disputa por profissionais qualificados exige que as empresas fortaleçam suas estratégias para atrair, engajar e reter talentos. Atualmente, apenas 20% das organizações brasileiras afirmam possuir uma Proposta de Valor ao Empregado (EVP) bem definida e compreendida pelos colaboradores, indicando que ainda existe um distanciamento entre o que as empresas oferecem e o que os profissionais esperam.
Essa diferença também aparece na oferta de benefícios. Enquanto 75% dos trabalhadores consideram importante ou muito importante contar com benefícios personalizados, apenas 12% das empresas afirmam oferecer esse tipo de solução. Para a Aon, esse cenário representa uma oportunidade para utilizar dados e tecnologia no desenvolvimento de programas de benefícios mais alinhados às necessidades dos colaboradores, contribuindo para aumentar o engajamento, a retenção de talentos e a produtividade.
Outro ponto de atenção destacado pela pesquisa é a transparência salarial. Apenas 31% das organizações classificam suas práticas nessa área como maduras ou muito maduras. O tema ganha ainda mais relevância diante da implementação da Lei de Igualdade Salarial (Lei nº 14.611/2023) e da crescente pressão do mercado por políticas de remuneração mais transparentes e equitativas.
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