O mercado de seguros, previdência complementar aberta e capitalização devolveu à sociedade R$ 265,30 bilhões em indenizações, resgates, benefícios e sorteios ao longo de 2025, alta nominal de 9,54% em relação ao ano anterior. As informações constam no Boletim divulgado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), que reúne os números consolidados do mercado supervisionado no ano. Em 2025, a arrecadação somou R$ 415,09 bilhões, o que representa variação nominal negativa de 4,75% frente a 2024.
Apesar da queda no volume arrecadado, o setor registrou um marco histórico em solidez financeira. O estoque de provisões técnicas ultrapassou, pela primeira vez, a marca de R$ 2 trilhões em outubro e encerrou dezembro em, aproximadamente, R$ 2,06 trilhões, equivalente a 16,15% do Produto Interno Bruto (PIB). As provisões técnicas são reservas constituídas pelas empresas para garantir o pagamento de compromissos futuros com segurados e beneficiários, funcionando como um colchão de segurança para o sistema.
No segmento de seguros de danos e pessoas, excluindo o VGBL, o desempenho foi positivo. As receitas alcançaram R$ 223,30 bilhões, crescimento nominal de 7,82% em relação a 2024. O resultado indica resiliência dos ramos mais ligados à proteção direta de famílias e empresas. Entre os seguros de danos, o seguro auto apresentou crescimento nominal de 6,79% e crescimento real de 1,66% na comparação anual. O avanço ocorreu em um ano marcado por mudanças relevantes no ambiente regulatório.
A publicação da Lei Complementar nº 213 de 2025, que trata das cooperativas de seguros e dos grupos de proteção patrimonial mutualistas, abriu espaço para novos modelos de organização, estimulando a entrada de agentes e ampliando a concorrência. A expectativa é que a medida contribua para ampliar o acesso da população à proteção securitária.
Outro destaque foi a entrada em vigor da Lei nº 15.040, considerada estruturante para o setor supervisionado. A norma consolida diretrizes modernas de funcionamento do mercado, fortalece a segurança jurídica e busca aumentar a confiança de consumidores e investidores, criando bases mais sólidas para o desenvolvimento sustentável das atividades de seguros, previdência aberta, capitalização e resseguros. Também em 2025 foi submetida à consulta pública uma norma sobre contratos de seguros de danos, com foco na transparência, clareza das cláusulas e equilíbrio nas relações entre segurados e seguradoras.
Nos seguros de pessoas, o seguro de vida manteve trajetória de expansão, com crescimento nominal de 12,70% e crescimento real de 7,27% em relação ao ano anterior. O avanço ocorreu paralelamente à modernização regulatória do ramo. Em novembro, foi publicado o novo normativo do seguro de vida universal, que amplia a flexibilidade dos produtos e aproxima a regulação brasileira das práticas internacionais.
Para o superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, “os resultados de 2025 refletem tanto a dinâmica do mercado quanto o avanço de uma agenda regulatória voltada à ampliação do acesso, ao fortalecimento da concorrência e à modernização do setor, que devem ser compreendidos como instrumentos do desenvolvimento nacional.”






