As seguradoras de Propriedades e Acidentes (P&C, na sigla em inglês) enfrentam dificuldades para transformar os investimentos em Inteligência Artificial (IA) em resultados concretos para os negócios. Embora 72% dos recursos destinados à tecnologia sejam aplicados em infraestrutura e soluções tecnológicas, apenas 28% são direcionados à gestão da mudança organizacional. Além disso, 42% das empresas ainda não acompanham indicadores para avaliar o sucesso dessas iniciativas.
Os dados fazem parte do World Property and Casualty Insurance Report 2026, elaborado pelo Capgemini Research Institute, que analisa os desafios do setor de seguros para ampliar o uso da IA e gerar valor a partir dessas ferramentas. O levantamento mostra que 60% das seguradoras ainda estão nas etapas iniciais de adoção da tecnologia, concentradas na exploração de possibilidades ou na realização de provas de conceito, fase em que soluções são testadas antes de uma implementação mais ampla.
Entre os principais obstáculos para avançar estão os sistemas antigos e as limitações da estrutura de tecnologia da informação, citados por 81% dos participantes. Já os problemas relacionados à qualidade dos dados e à dificuldade de compartilhá-los entre diferentes áreas foram mencionados por 74%.
Segundo o Capgemini Research Institute, superar essas barreiras exige mais do que investir em ferramentas tecnológicas. As empresas também precisam adaptar processos, capacitar profissionais e estabelecer responsabilidades claras para garantir que a IA seja utilizada de maneira eficiente e alinhada aos objetivos do negócio.
Para o diretor de Soluções para Seguros da Capgemini Brasil, Gustavo Leança, o principal desafio está na integração da tecnologia às atividades das empresas. “O desafio não está mais na capacidade da IA propriamente dita, mas sim em como adaptá-lá para o processo atual”, afirma.
O executivo destaca duas frentes essenciais para avançar nessa transformação. A primeira é alinhar a estratégia de negócios e o desenvolvimento de talentos às possibilidades da Inteligência Artificial. A segunda é organizar sua utilização, com regras claras, governança e mecanismos de supervisão.
Apesar das dificuldades enfrentadas pela maioria do mercado, o estudo identificou um grupo de aproximadamente 10% das seguradoras P&C que já considera a IA uma capacidade central de suas operações. Entre 2021 e 2024, essas empresas apresentaram crescimento de receita 21% superior e valorização das ações 51% maior em comparação às seguradoras convencionais analisadas.
De acordo com a pesquisa, o desempenho dessas companhias está associado à combinação de planejamento estratégico, desenvolvimento de profissionais, integração tecnológica e mudanças na organização do trabalho. Ou seja, os resultados não dependem apenas da aquisição de ferramentas, mas também da capacidade de incorporá-las à rotina e à estratégia empresarial.
Para ampliar os benefícios da IA, a Capgemini propõe um modelo de trabalho centrado em especialistas. Nesse formato, a tecnologia fica responsável por executar atividades em grande escala, enquanto profissionais e lideranças continuam encarregados das decisões, da supervisão e dos resultados. A proposta busca combinar a produtividade proporcionada pela automação com a experiência e a capacidade de julgamento humano.
O World Property and Casualty Insurance Report 2026 foi elaborado com base em três frentes de pesquisa. A primeira ouviu 1.113 consumidores em 18 países. A segunda reuniu informações de quatro pesquisas globais com 809 profissionais do setor de seguros em 16 países. A terceira contou com entrevistas com 344 executivos seniores de empresas líderes de seguros P&C em 18 países. As pesquisas foram realizadas entre dezembro de 2025 e março de 2026, abrangendo três regiões globais: Américas, incluindo o Brasil, Europa e Ásia-Pacífico.
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