A redução no volume de aportes em planos de previdência privada aberta marcou o desempenho do setor em 2025, enquanto a capitalização seguiu em trajetória de crescimento e ampliação de relevância para os brasileiros. É o que mostram dados recentes da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), com base em números da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
De acordo com o relatório da Fenaprevi, de janeiro a novembro de 2025, os prêmios e as contribuições em previdência privada somaram R$ 142 bilhões, uma retração de 19,6% em relação ao mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, os resgates alcançaram R$ 140 bilhões, alta de 13,9%, o que resultou em uma captação líquida de R$ 2 bilhões, queda expressiva de 96,3% na comparação anual.
O desempenho de novembro reforça o cenário desafiador. Apenas no mês, os aportes totalizaram R$ 9,3 bilhões, recuo de 32,5%, enquanto os resgates cresceram 2,6% e chegaram a R$ 11,7 bilhões. O resultado foi uma captação líquida negativa de R$ 2,3 bilhões, retração de 195,8% frente a novembro do ano anterior. Apesar disso, o setor administrava, em novembro, R$ 1,8 trilhão em ativos, o equivalente a cerca de 13,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
O levantamento mostra ainda que os planos VGBL seguiram predominantes, concentrando 90% do total arrecadado entre janeiro e novembro. Os planos PGBL responderam por 8% dos aportes, com R$ 11,1 bilhões, enquanto os planos tradicionais ficaram com os 2% restantes. Ao todo, o Brasil contava, até novembro de 2025, com mais de 13,6 milhões de planos de previdência aberta, pertencentes a 11,2 milhões de pessoas, sendo a maioria em planos individuais.
Enquanto a previdência enfrenta retração, a capitalização apresentou desempenho positivo. Entre janeiro e outubro de 2025, o setor movimentou R$ 28,67 bilhões, crescimento de 8,8% na comparação anual. No período, os resgates somaram R$ 21,55 bilhões e os sorteios pagos em dinheiro chegaram a R$ 1,70 bilhão, totalizando R$ 23,25 bilhões devolvidos à sociedade. As reservas técnicas alcançaram R$ 44,11 bilhões, reforçando a segurança do produto.
Todas as modalidades de capitalização registraram evolução. A modalidade Tradicional arrecadou R$ 20,60 bilhões, alta de 7%. A Filantropia Premiável somou R$ 3,49 bilhões, crescimento de 6,3%, com repasse de R$ 1,73 bilhão a entidades filantrópicas. Já a modalidade de Incentivo destacou-se pelo avanço nos sorteios, que chegaram a R$ 280 milhões, aumento de 51,1%, enquanto a modalidade Popular registrou receita de R$ 240 milhões.
Para o presidente da FenaCap, Denis Morais, os números confirmam a força do setor. “O desempenho até outubro confirma a solidez do setor e a confiança dos brasileiros em um produto que alia formação de reserva, possibilidade de resgate e sorteios, sempre dentro de um ambiente regulado e supervisionado. Os números mostram que a Capitalização cumpre um papel relevante na organização financeira das famílias e na devolução de recursos à sociedade”, afirma.
Segundo o executivo, a versatilidade dos títulos amplia o alcance da capitalização. “Com quase 100 anos de história no País, o setor segue evoluindo, investindo em inovação e em títulos cada vez mais flexíveis e digitais, sem abrir mão da segurança e da supervisão. É um produto que atende a todos os públicos, incentiva a educação financeira e contribui para o desenvolvimento econômico em diferentes contextos”, completa Denis Morais.






