A mensuração de eventos climáticos extremos ganhou um novo instrumento técnico no país. O IRB(P&D), área de pesquisa e desenvolvimento do IRB(Re), estruturou uma base com 68 índices padronizados capazes de identificar e quantificar fenômenos como chuvas intensas, secas, ondas de calor e frio e vendavais, com foco em aplicações atuariais e de resseguro. Para acessar, clique aqui.
A base foi construída a partir de dados coletados entre 1961 e 2024, reunindo séries diárias de precipitação, temperatura, vento, evapotranspiração, radiação e umidade. O objetivo é transformar informações meteorológicas em parâmetros técnicos que possam ser utilizados pelo mercado segurador para avaliar riscos e calcular preços de forma mais precisa.
Segundo o superintendente do IRB(P&D), Reinaldo Marques, o setor já acumula experiência histórica no tratamento desses riscos, mas agora conta com recursos tecnológicos mais avançados. “A indústria de seguros tem exercido papel estratégico na observação, análise e modelagem de riscos associados a eventos climáticos extremos, acumulando décadas de experiência e bases de dados sobre perdas decorrentes de desastres naturais. A atual tecnologia de informação permite a utilização de técnicas refinadas de big data, machine learning e inteligência artificial”, explica.
A iniciativa ocorre em um contexto de aumento expressivo das perdas causadas por desastres naturais. De acordo com o relatório Climate and Catastrophe Insight 2025, da Aon, as perdas seguradas globais somaram US$ 145 bilhões em 2024, o sexto maior valor já registrado.
No Brasil, os números também acendem alerta. Dados do Banco Internacional de Dados de Desastres apontam que o país ocupou a quarta posição mundial em número de ocorrências de desastres em 2023, superando a média anual observada entre 2003 e 2022. Já o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais informou que 2024 registrou o maior número de alertas de desastres da série histórica, sendo que 75% deles estiveram relacionados a chuvas intensas.
Com a consolidação da base, o IRB(P&D) analisou a evolução dos extremos climáticos no Brasil ao longo dos últimos 60 anos, buscando compreender tanto a intensidade quanto a frequência desses eventos. A partir dessa estrutura, também foi desenvolvida uma análise de tempo de retorno, ferramenta que estima em quanto tempo determinado fenômeno tende a se repetir em cada região.
Para Marques, o impacto vai além do campo acadêmico. “O conhecimento gerado representa um avanço essencial para o setor segurador e ressegurador, aprimorando a precificação atuarial, o dimensionamento de reservas e o planejamento de instrumentos de proteção financeira. A diferenciação regional evidencia a importância da base climática IRB(P&D) como ferramenta estratégica para o desenvolvimento de modelos de precificação sensíveis às condições locais e para o fortalecimento da resiliência financeira do país diante da intensificação dos riscos climáticos e da necessidade de políticas eficazes de adaptação”, afirma.
Ao traduzir dados climáticos complexos em indicadores padronizados, a iniciativa amplia a capacidade do mercado de seguros de antecipar riscos, ajustar preços e estruturar mecanismos de proteção financeira mais adequados à realidade de cada região brasileira.






