O custo da saúde deve continuar subindo no Brasil e no mundo, pressionando empresas, planos de saúde e consumidores. A edição 2026 da pesquisa Tendências Médicas Globais (Global Medical Trends), divulgada pela WTW, aponta que a inflação médica no Brasil deve alcançar 11% em 2026, mantendo o País acima da média global e reforçando um cenário de aumentos contínuos nos gastos com assistência médica.
De acordo com o levantamento, a projeção para 2026 é ligeiramente inferior à estimativa de 11,1% para 2025, mas ainda superior ao índice global previsto, de 10,3%. O percentual brasileiro também fica próximo da média da América Latina, que deve registrar inflação médica de 11,9% no mesmo período.
A pesquisa ouviu cerca de 400 instituições de 91 países, entre junho e julho de 2025. Do total de participantes, 27% são da América Latina, incluindo o Brasil. Segundo a diretora de Saúde e Benefícios da WTW, Walderez Fogarolli, a alta dos custos não pode ser explicada por um único fator. “É importante destacar que, ao falarmos sobre inflação médica no Brasil, devemos considerar diversos fatores e atores, como regulação, judicialização, avanços tecnológicos com preços cotados em dólar, comportamento do consumidor, desperdícios, fraudes, entre outros”, explica.
A pesquisa detalha quais serviços devem pesar mais no orçamento da saúde em 2026. Nas Américas, a cobertura de medicamentos aparece como o principal impulsionador da inflação médica, especialmente por causa das terapias avançadas, como os medicamentos de última geração para obesidade e diabetes.
Embora esses tratamentos ainda não façam parte da cobertura dos planos de saúde no Brasil, mudanças recentes já impactam os custos. “Apesar de os serviços de saúde no Brasil ainda não contemplarem medicamentos para emagrecimento, como as canetas injetáveis, o Rol de procedimentos ampliou a cobertura ambulatorial para alguns medicamentos oncológicos, doenças raras e autoimunes”, comenta Walderez.
Entre as condições de saúde que mais devem influenciar os gastos médicos nas Américas, incluindo o Brasil, destacam-se o câncer, citado por 69% dos entrevistados, as doenças cardiovasculares (52%), o diabetes (37%) e os transtornos de saúde comportamental (33%). Nesse último grupo, chama atenção o aumento dos tratamentos relacionados à saúde mental. “Vale destacar o crescimento no tratamento de condições de saúde mental e comportamental, como o espectro autista e o TDAH, que desde 2022 passaram a contar com cobertura ilimitada de sessões”, pontua.
O estudo também indica que a pressão sobre os custos médicos não deve diminuir tão cedo. Nas Américas, incluindo o Brasil, 34% dos participantes acreditam que os aumentos continuarão pelos próximos dois a três anos, enquanto metade dos entrevistados avalia que as altas devem persistir por mais de três anos.
Mesmo sem cobertura atual no País, os medicamentos para emagrecimento já preocupam o mercado: 67% dos respondentes acreditam que esses tratamentos terão impacto relevante nos custos médicos nos próximos três anos.
Outro ponto de destaque da pesquisa é o avanço da tecnologia na área da saúde, especialmente da Inteligência Artificial (IA). Segundo o levantamento, 37% das organizações pretendem adotar soluções de IA em seus programas de saúde nos próximos três anos. Nas Américas, esse percentual sobe para 42%, puxado principalmente por Estados Unidos e Canadá.
No cenário global, 58% dos entrevistados acreditam que a IA deve contribuir para melhorar processos administrativos e operacionais, ajudando a tornar o sistema mais eficiente, ainda que os desafios de custo permaneçam no radar.






