Os dados da Retrospectiva Climática 2025, divulgada pela Climatempo, mostram que eventos severos de frio intenso, calor recorde, ventos extremos e chuvas volumosas distribuídos ao longo de todo o ano fizeram de 2025 um marco na climatologia brasileira. O levantamento, baseado em monitoramento meteorológico contínuo e registros de impactos em diferentes regiões do País, indica que os extremos deixaram de ser episódios pontuais e passaram a compor o cotidiano, ampliando riscos para cidades, infraestrutura e cadeias produtivas.
A análise aponta que a recorrência de fenômenos intensos reforça a necessidade de que informações meteorológicas e climáticas sejam incorporadas aos processos de tomada de decisão em 2026, tanto por governos quanto por empresas e pela população. Os impactos atingiram diretamente setores como energia, logística e agronegócio, além da infraestrutura urbana.
O meteorologista Vinícius Lucyrio observa que o comportamento registrado ao longo do ano evidenciou a consolidação dos extremos climáticos no País, com alternância entre frio fora de época, calor intenso e eventos severos de vento e chuva. Segundo ele, as variações intensas reforçam o clima como variável estratégica para planejamento e gestão de riscos.
Entre os episódios mais relevantes estiveram as chuvas excepcionais no Rio Grande do Sul em junho, ciclones extratropicais e ventanias históricas em dezembro, além de tornados e granizo durante a primavera. Esses eventos ampliaram os desafios para a operação de negócios da indústria, do varejo e de setores dependentes de estabilidade climática.
O frio ganhou destaque a partir do fim de maio, com sucessivas incursões de massas polares. Em agosto, grande parte do País registrou temperaturas abaixo da média, com padrão persistente no Rio Grande do Sul. Um dos registros mais emblemáticos ocorreu em 20 de outubro, quando a cidade de São Paulo marcou 11,2 °C, o dia mais frio para o mês em 11 anos.
O contraste veio no fim do ano. Em 28 de dezembro, a capital paulista atingiu 37,2 °C, estabelecendo o recorde de temperatura máxima para dezembro desde o início da série histórica consolidada, evidenciando a concentração de extremos opostos em um mesmo ano.
Os ventos intensos também se destacaram em 2025. No fim de julho, rajadas expressivas atingiram o estado de São Paulo e, nos dias 21 e 22 de setembro, a capital voltou a registrar ventos fortes, enquanto Santos superou 100 km/h. Em dezembro, a formação de um ciclone extratropical no Sul intensificou os impactos, com o aeroporto de Congonhas registrando rajada de 96,3 km/h no dia 10, a mais intensa em ambiente seco desde 1963.
As chuvas causaram impactos significativos ao longo do ano. Em junho, volumes superiores a 300 mm e 400 mm foram registrados em municípios do Rio Grande do Sul, com acumulados elevados em 24 horas que provocaram alagamentos e inundações. Na primavera, tempestades severas incluíram um tornado F4 em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, em 7 de novembro, e episódios de granizo que causaram danos em Erechim, no Rio Grande do Sul, e São Manuel, em São Paulo, no dia 23 do mesmo mês.
Padrões fora do habitual também foram observados em outras regiões, como chuvas volumosas na Bahia em outubro e novembro e a persistência de precipitações na Amazônia, reduzindo a caracterização do verão amazônico. O conjunto desses eventos consolidou 2025 como um ano de referência para a avaliação dos riscos climáticos no Brasil.
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