Desastres naturais geram US$ 5,4 bilhões em perdas no Brasil e reforçam urgência de gestão de riscos

Os impactos das mudanças climáticas continuam pressionando economias, cadeias produtivas e o planejamento de governos e empresas. Em 2025, os desastres naturais provocaram cerca de US$ 5,4 bilhões em perdas financeiras no Brasil, com destaque para as secas sazonais que atingiram duramente a agricultura, especialmente na região amazônica, onde se registra uma das estiagens mais severas e prolongadas da história recente.

A análise faz parte do relatório Climate and Catastrophe Insight, divulgado pela Aon. O levantamento mostra que, embora o Sudeste tenha apresentado sinais de recuperação ao longo do ano, a situação no Norte segue pressionando a estabilidade regional. Um reflexo direto foi observado na matriz energética: a participação das hidrelétricas, que normalmente gira em torno de dois terços da geração nacional, caiu para menos da metade em agosto.

O problema, porém, não é isolado. A seca tem sido recorrente em diversos países da América do Sul. Em 2023, somente a Bacia do Prata concentrou mais de US$ 16 bilhões em danos, um dos maiores prejuízos já vistos. Em 2024, a combinação de falta de água e incêndios florestais na Amazônia manteve o nível de devastação elevado.

Além dos efeitos imediatos, a estiagem amplia riscos para mercados estratégicos. A produção de café, por exemplo, pode sofrer interrupções capazes de afetar o abastecimento global. Brasil, Colômbia e Vietnã lideram a oferta do grão. Nas últimas três décadas, o território brasileiro acumulou US$ 139 bilhões em perdas associadas à seca, e projeções do Climate Risk Monitor indicam que condições extremas de escassez hídrica podem ameaçar cerca de 54% das colheitas mundiais até 2050.

A CEO de Resseguros para o Brasil da Aon, Beatriz Protasio, ressalta que a escalada dos eventos climáticos exige respostas coordenadas e ferramentas mais sofisticadas de proteção. “Compreender os impactos dos riscos climáticos e a necessidade de adotar ferramentas que ajudem a transferir riscos, atenuar esses danos e agilizar a recuperação pós-catástrofe é de extrema importância. É necessário investimento em infraestruturas mais resilientes, além de mais conscientização de empresas, órgãos públicos e da sociedade”, afirma.

Entre os caminhos apontados, a executiva destaca o avanço de mecanismos capazes de acelerar pagamentos e dar previsibilidade às organizações. “Além disso, sistemas de alerta precoce e ferramentas de análise e gestão de riscos climáticos, como o Climate Risk Monitor (CRM) da Aon, também são importantes aliados. A plataforma é baseada em dados e modelos preditivos de catástrofes, que apoiam as organizações a compreender e atenuar seus níveis de exposição a ameaças derivadas do clima de maneira mais estratégica e resiliente”, explica.

No cenário internacional, as perdas econômicas causadas por desastres naturais somaram US$ 260 bilhões em 2025, o menor patamar desde 2015. Ainda assim, as indenizações pagas pelo mercado de seguros permaneceram elevadas, alcançando US$ 127 bilhões. Foi o sexto ano seguido em que os desembolsos superaram a marca de US$ 100 bilhões.

Os incêndios florestais de Palisades e Eaton, na Califórnia, lideraram o ranking de eventos mais caros do ano, com US$ 58 bilhões em prejuízos econômicos e US$ 41 bilhões em perdas seguradas, números que os colocam entre os mais onerosos já registrados.

O estudo também mostra uma mudança relevante no perfil das ameaças. As tempestades convectivas severas ultrapassaram os ciclones tropicais como o risco segurado mais custoso deste século, impulsionadas pela frequência e intensidade dos episódios nos Estados Unidos. Apenas em 2025, essas ocorrências geraram US$ 61 bilhões em indenizações, o terceiro maior resultado histórico para esse tipo de evento.

De acordo com a Aon, foram contabilizados 49 desastres com perdas econômicas bilionárias no ano, acima da média de longo prazo. Já os eventos com prejuízos segurados que ultrapassaram a casa do bilhão chegaram a 30, número significativamente superior ao padrão histórico e que evidencia o acúmulo de catástrofes de médio porte cada vez mais frequentes.

As fatalidades globais somaram 42 mil pessoas, principalmente em decorrência de terremotos e ondas de calor, ainda assim, um volume inferior à média observada ao longo do século. O terremoto em Mianmar foi o episódio mais letal, com mais de 5 mil vítimas, enquanto as ondas de calor responderam por cerca de 25 mil mortes no mundo.

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