O Brasil liderou o mercado de fusões e aquisições da América Latina no primeiro semestre de 2026, com 593 operações realizadas entre janeiro e junho. Apesar da queda de aproximadamente 35% no número de transações em relação ao mesmo período de 2025, o valor movimentado cresceu 15% e chegou a US$ 32,557 bilhões.
Os dados fazem parte de relatório elaborado pela Aon em parceria com a TTR Data e a Datasite. O levantamento mostra um mercado mais seletivo, no qual investidores estão concentrando recursos em negócios considerados estratégicos e com maior potencial de geração de valor.
Do total registrado no Brasil, 297 operações foram de fusões e aquisições tradicionais, responsáveis por US$ 20,333 bilhões. A aquisição de ativos somou 151 transações, com US$ 4,424 bilhões movimentados. Já o segmento de Venture Capital registrou 106 operações, totalizando US$ 1,272 bilhão, enquanto o Private Equity contabilizou 41 transações, que movimentaram US$ 6,528 bilhões.
O setor de tecnologia, especialmente software e serviços de tecnologia da informação, permaneceu na liderança em número de negócios, com 104 operações. O mercado imobiliário também ganhou destaque, com 98 transações, um crescimento de 17% em relação ao primeiro semestre de 2025. Na sequência aparecem serviços profissionais, com 37 operações, e bancos e investimentos, com 31.
Para o líder de M&A and Transaction Solutions para o Brasil na Aon, André Nogueira, o resultado demonstra uma mudança no perfil dos negócios realizados no país. “Esse movimento demonstra que investidores continuam priorizando ativos estratégicos e negócios capazes de gerar valor no médio e longo prazo”, afirma o executivo.
Segundo Nogueira, o cenário eleitoral também contribui para uma postura mais cautelosa entre compradores internacionais. “Esse ambiente de maior incerteza tende a afetar o apetite por riscos no curto prazo, especialmente em transações mais sensíveis”, avalia.
Entre os negócios de maior destaque no período estão a aquisição da mineradora Serra Verde pela companhia norte-americana USA Rare Earth, por US$ 2,75 bilhões, e a compra da FS Bioenergia pela Amaggi, por aproximadamente US$ 1 bilhão. As operações reforçam o interesse por ativos relacionados à transição energética e à sustentabilidade.
América Latina
Na América Latina, foram registradas 1.062 operações no primeiro semestre, uma redução de cerca de 30% em comparação com os seis primeiros meses de 2025. Apesar da queda no volume, o valor agregado das transações alcançou US$ 49,107 bilhões, recuo de aproximadamente 6%.
Depois do Brasil, o Chile aparece com 163 operações e US$ 3,595 bilhões movimentados. A Argentina ficou em terceiro lugar, com 129 transações e US$ 4,672 bilhões. O México registrou 118 operações, mas movimentou US$ 10,911 bilhões, alta de 21% no valor agregado.
A Colômbia contabilizou 91 transações e US$ 7,230 bilhões em capital mobilizado. Já o Peru realizou 58 operações, com valor agregado de US$ 4,337 bilhões, crescimento expressivo de 313% em relação ao primeiro semestre do ano anterior.
Para o Head de M&A and Transaction Solutions para a América Latina na Aon, Pedro da Costa, as diferenças entre os mercados refletem condições econômicas e regulatórias específicas de cada país. No caso brasileiro, segundo ele, o aumento do capital movimentado está diretamente relacionado às operações de maior porte. “A seletividade continua elevada, com forte ênfase na qualidade dos ativos, na visibilidade de fluxos de caixa e na solidez do marco regulatório de cada jurisdição”, explica.
O levantamento também aponta a presença crescente de empresas latino-americanas em operações no exterior. Até o primeiro trimestre de 2026, foram realizadas 42 transações na Europa e 22 na América do Norte. Na direção contrária, os principais investidores estrangeiros em operações estratégicas na América Latina vieram da América do Norte, com 163 transações, da Europa, com 143, e da Ásia, com 37.





