O El Niño poderá provocar impactos significativos na economia brasileira durante o ciclo 2026/27, afetando desde a produção agrícola até a logística, o fornecimento de energia e a continuidade das operações empresariais. Estudos da Aon e da Gallagher alertam para o aumento dos riscos climáticos e seus reflexos no mercado de seguros.
Segundo relatório da Aon, projeções climáticas indicam 95% de probabilidade de o fenômeno atingir seu pico entre outubro e dezembro de 2026, com efeitos que poderão se estender até abril de 2027. O trigo está entre as culturas mais vulneráveis. O Sul concentra cerca de 80% da produção nacional, estimada em 7,54 milhões de toneladas, e poderá enfrentar excesso de chuvas durante a colheita. No Sudeste, ondas de calor e irregularidade das chuvas ameaçam o café, cultura que já registrou perdas de 20% a 30% em municípios afetados por eventos climáticos anteriores.
Na soja, os impactos variam conforme a região. Enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta riscos de excesso de umidade, Mato Grosso, responsável por aproximadamente 30% da produção nacional, poderá ser beneficiado por chuvas mais regulares.
Já o estudo da Gallagher amplia o alerta para outros setores da economia. Chuvas intensas no Sul poderão interromper rodovias e ferrovias, enquanto períodos de estiagem no Norte e Nordeste ameaçam o transporte fluvial. No Sudeste e Centro-Oeste, ondas de calor e alterações no regime de chuvas poderão pressionar o abastecimento de energia e elevar os custos operacionais.
O levantamento também destaca riscos indiretos, como aumento dos preços dos fretes, paralisação de fornecedores e maior exposição a ataques cibernéticos durante operações emergenciais. Para o head de Claims e Consulting da Gallagher no Brasil, Luiz Peres, os prejuízos podem ultrapassar os danos materiais. “Sem um plano de contingência bem alinhado à engenharia de riscos, o custo da interrupção de negócios pode superar em muitas vezes o valor do dano material direto”, alerta.
A CEO de Resseguros da Aon no Brasil, Beatriz Protásio, também destaca os efeitos financeiros do fenômeno. “Os impactos do clima já não se limitam à operação agrícola. Eles afetam liquidez, capacidade de financiamento e criação de valor ao longo de toda a cadeia”, afirma.
No mercado de seguros, o aumento da frequência e da intensidade dos sinistros poderá pressionar os preços, elevar franquias e restringir limites de cobertura para riscos catastróficos, conforme avaliação da Gallagher.
Diante desse cenário, os estudos reforçam a importância do planejamento antecipado, da revisão das apólices e da adoção de soluções como seguros paramétricos, que permitem indenizações com base em indicadores climáticos previamente estabelecidos. A recomendação é fortalecer a gestão de riscos para reduzir prejuízos e preservar a capacidade financeira de produtores e empresas.





