Apenas 9% das perdas econômicas provocadas por desastres climáticos no Brasil são cobertas por seguros, percentual muito abaixo da média mundial de 45%. O cenário evidencia a vulnerabilidade financeira da população, das empresas e do poder público diante de eventos extremos, como enchentes, tempestades e deslizamentos.
Os dados fazem parte do Relatório Final do Grupo de Trabalho Seguro Catástrofe, divulgado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). O documento reúne análises e propostas para ampliar a proteção financeira contra desastres naturais e desenvolver soluções adequadas à realidade brasileira.
O levantamento destaca que o Brasil ainda depende principalmente de recursos públicos liberados após a ocorrência das catástrofes, enquanto mecanismos de proteção antecipada, como seguros e resseguros, permanecem pouco utilizados. Também foram identificados desafios relacionados à disponibilidade de dados, à avaliação dos riscos e à integração entre instituições públicas e privadas.
Para enfrentar essas dificuldades, o relatório apresenta 30 propostas de curto, médio e longo prazos. Entre as principais medidas estão o desenvolvimento de novos produtos de seguros, o aprimoramento da regulamentação, a ampliação das bases de dados sobre riscos climáticos e o fortalecimento da capacidade dos municípios para prevenir e enfrentar desastres.
Outra sugestão é a criação de uma estrutura permanente de cooperação entre instituições públicas e privadas para acompanhar o desenvolvimento de soluções de proteção financeira contra catástrofes.
O Grupo de Trabalho reuniu representantes do poder público, do mercado de seguros e resseguros, de entidades representativas, universidades e especialistas. As discussões também consideraram experiências internacionais de países que utilizam mecanismos de seguros para reduzir os impactos econômicos de grandes desastres.
As 30 propostas têm caráter consultivo e ainda dependem de avaliação pelas instituições competentes. Com a conclusão dos trabalhos, o relatório passa a servir como referência para futuras iniciativas voltadas à ampliação da cobertura securitária e à redução dos prejuízos causados por eventos climáticos extremos no Brasil.





