O aumento dos ataques virtuais tem provocado impactos financeiros cada vez maiores para empresas brasileiras e impulsionado a contratação do Seguro Cibernético. Entre janeiro e abril de 2026, as seguradoras pagaram quase R$ 30 milhões em indenizações relacionadas a esse tipo de cobertura, um crescimento de 253,1% em comparação com o mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, a arrecadação do Seguro Cibernético avançou 71,1%, alcançando R$ 134,6 milhões em prêmios, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).
Esse cenário acompanha a publicação do novo Manual de Orientações sobre Segurança Cibernética da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O documento reúne recomendações para auxiliar seguradoras, resseguradoras, entidades abertas de previdência complementar, sociedades de capitalização e cooperativas de seguros a cumprir os requisitos mínimos de segurança previstos na regulamentação.
Embora tenha caráter orientativo, o manual reforça que a segurança digital deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar parte essencial da estratégia de gestão de riscos das empresas do setor.
O avanço dos ataques cibernéticos tem levado organizações de diferentes portes a buscar formas de reduzir prejuízos provocados por vazamento de dados, paralisação de operações e outros incidentes digitais. Como consequência, cresce também a procura por soluções que ofereçam proteção financeira diante desses eventos.
Antes mesmo da publicação do manual da Susep, o mercado segurador já vinha adotando medidas para fortalecer a prevenção. Uma delas é a plataforma de Compartilhamento de Incidentes Cibernéticos (CIC), criada pela CNseg para permitir que empresas compartilhem, de forma confidencial, informações sobre ataques, vulnerabilidades e novas ameaças.
A ferramenta tem ampliado sua utilização. Em 2025, foram registrados 527 alertas relacionados a incidentes cibernéticos. Somente no primeiro trimestre de 2026, outros 123 eventos foram compartilhados entre as empresas participantes. Entre as informações mais frequentes estão alertas sobre vulnerabilidades, notícias de ataques, atualizações críticas de segurança, campanhas de phishing e comunicados regulatórios.
Segundo o diretor de Serviços às Associadas da CNseg, André Vasco, a iniciativa permite que as empresas respondam mais rapidamente às ameaças e ainda reduzam custos para atender às exigências legais. “Além de dar celeridade para as seguradoras protegerem seus dados e evitarem danos aos seus negócios e aos seus clientes, o CIC estabelece uma redução de custos operacionais diante da necessidade de cumprir a legislação”, afirma.
Na prática, a plataforma funciona como uma rede de inteligência compartilhada. Quando uma seguradora identifica uma nova ameaça, pode alertar rapidamente as demais participantes, que passam a adotar medidas preventivas, como reforço dos sistemas de proteção, aplicação de correções de segurança e isolamento de ambientes comprometidos.
O crescimento da modalidade está diretamente ligado ao aumento da dependência das empresas em relação aos sistemas digitais e ao armazenamento de dados. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o Seguro Cibernético não cobre apenas ataques de hackers. Dependendo das condições da apólice, a cobertura pode incluir investigação técnica para identificar a origem do ataque, recuperação de sistemas, gerenciamento de crises, comunicação com clientes e autoridades, despesas jurídicas, perdas causadas pela interrupção das operações, responsabilidade por vazamento de dados e custos decorrentes de ataques de ransomware e extorsão digital.
Para o membro da Subcomissão de Linhas Financeiras da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Victor Perego, o seguro faz parte de uma estratégia mais ampla de proteção das empresas. “O Seguro Cibernético não substitui os investimentos em segurança digital. Ele funciona como uma camada complementar dentro de uma estratégia mais ampla de gestão de riscos, oferecendo capacidade de resposta, suporte especializado e recuperação financeira quando, apesar dos controles adotados, um incidente acontece. Além da indenização, o produto pode incluir serviços de prevenção, monitoramento, resposta a incidentes e gestão de crise, contribuindo para a continuidade dos negócios e a resiliência operacional das empresas”, conclui.





