A contratação de seguros no Brasil ainda está concentrada em famílias de renda média, moradores da Região Sudeste e pessoas em idade economicamente ativa. Ao mesmo tempo, milhões de brasileiros permanecem sem proteção para seus veículos e residências, cenário que evidencia um amplo espaço para expansão do mercado segurador. É o que mostra um levantamento inédito da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), que traçou o perfil do consumidor de seguro Automóvel, seguro Residencial e títulos de Capitalização.
O estudo foi elaborado pela Comissão de Inteligência de Mercado da CNseg a partir de dados fornecidos por seguradoras que representam cerca de 56% do mercado analisado. A pesquisa reuniu informações sobre faixa etária, renda, gênero e distribuição geográfica dos consumidores, permitindo identificar quem mais contrata esses produtos e onde ainda existe maior oportunidade de ampliar o acesso à proteção financeira.
No seguro Automóvel, a pesquisa aponta que a maior parte dos segurados pertence à classe C, com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120, representando 41% da carteira. Em seguida aparecem consumidores da classe B, com 24%, e da classe D, com 23%.
A predominância também está entre adultos em idade produtiva. Cerca de 29% dos segurados têm entre 36 e 45 anos, enquanto 26% possuem entre 46 e 55 anos. Os homens representam 51% dos clientes e as mulheres, 42%.
Regionalmente, o Sudeste concentra 53% dos consumidores de seguro Automóvel, seguido pelas regiões Sul, com 16%, e Centro-Oeste, com 15%. Segundo a CNseg, esse comportamento acompanha a concentração da frota de veículos, mas também reflete diferenças de renda e acesso ao crédito.
O levantamento mostra ainda que quase metade dos veículos segurados possui valor de até R$ 70 mil, enquanto outros 27% estão na faixa entre R$ 71 mil e R$ 100 mil.
Apesar da importância do produto, a cobertura ainda é considerada baixa. Dados da CNseg, com base em informações da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), indicam que apenas 29% da frota brasileira possui seguro. Em dezembro de 2024, dos cerca de 63,3 milhões de automóveis registrados no país, aproximadamente 18 milhões estavam protegidos.
No seguro Residencial, o perfil do consumidor é diferente. A contratação é mais frequente entre pessoas acima dos 56 anos. O estudo mostra que 24% dos segurados têm entre 56 e 65 anos e outros 17% possuem mais de 65 anos.
A distribuição por renda também é mais equilibrada, com predominância da classe C, que representa 31% dos clientes, seguida pela classe D, com 27%, e pela classe B, com 21%. O Sudeste também lidera esse segmento, reunindo 56% dos segurados, seguido pelas regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.
Mesmo assim, o seguro Residencial ainda alcança uma pequena parcela das moradias brasileiras. Com base em dados do Censo do IBGE e da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), a CNseg estima que apenas 17% das residências do país possuem esse tipo de proteção.
O diretor Técnico, de Estudos e Relações Regulatórias da CNseg, Alexandre Leal, destaca que o levantamento evidencia um importante desafio para o setor, principalmente diante do aumento dos eventos climáticos extremos. “Quando observamos que apenas 17% das residências brasileiras possuem seguro e que menos de um terço da frota nacional está protegida, fica evidente que existe um espaço importante de vulnerabilidade patrimonial das famílias. Ao mesmo tempo, isso mostra o tamanho do potencial de crescimento do setor e a necessidade de ampliar o acesso à proteção financeira no país”, afirma.
Segundo o executivo, as seguradoras têm discutido soluções mais acessíveis, especialmente voltadas para a classe média e famílias de menor renda, com produtos mais simples, personalizáveis e adequados à realidade dos consumidores. Nos títulos de Capitalização, o levantamento identificou maior presença de consumidores de menor renda. A classe E representa 38% dos clientes e a classe D responde por outros 24%.
A distribuição regional também é mais equilibrada. O Sudeste concentra 30% dos clientes, seguido pelo Sul, com 25%, Nordeste, com 19%, Centro-Oeste, com 15%, e Norte, com 11%. Para Leal, esse comportamento demonstra que a Capitalização tem servido como porta de entrada para produtos financeiros e de proteção, principalmente devido ao baixo valor das contribuições mensais. Quase metade dos consumidores paga até R$ 300 por mês, enquanto 55% dos títulos oferecem sorteios de até R$ 70 mil.
O levantamento foi divulgado em um momento de expansão do mercado. Segundo a CNseg, o setor arrecadou R$ 764,5 bilhões em 2025 e pagou R$ 548,4 bilhões em indenizações, benefícios, resgates e sorteios. Em comparação com 2020, a arrecadação cresceu mais de 52%, enquanto os pagamentos aumentaram 70%.
Para 2026, a entidade projeta arrecadação de R$ 808,5 bilhões, alta estimada em 5,8%, mesmo diante de um cenário de juros elevados, inflação próxima de 5% e desaceleração econômica. Entre os segmentos com maior expectativa de crescimento estão o seguro Habitacional, com projeção de alta de 12,3%, e o seguro Automóvel, que deve avançar 7,8%, impulsionado pelo aumento das vendas de veículos, incluindo modelos híbridos e elétricos.
A CNseg também avalia que o envelhecimento da população e a maior frequência de eventos climáticos extremos devem contribuir para ampliar a conscientização sobre a importância da proteção financeira e patrimon10ial, modificando gradualmente o perfil do consumidor de seguros no Brasil.





