Lucro das seguradoras cresce 17,5% no ano e análises de IRB+Inteligência e CNseg apontam resiliência do mercado

O mercado de seguros brasileiro segue demonstrando capacidade de crescimento mesmo em um cenário econômico desafiador. Levantamentos divulgados pelo IRB+Inteligência e pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que o setor mantém expansão das receitas, melhora da rentabilidade e elevado volume de recursos destinados a indenizações, benefícios e resgates, reforçando sua importância para a proteção financeira de pessoas e empresas.

De acordo com o IRB+Inteligência, as seguradoras registraram lucro líquido de R$ 3,9 bilhões em abril de 2026, resultado 20,7% superior ao observado no mesmo mês do ano passado. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o lucro alcançou R$ 14,7 bilhões, crescimento de 17,5% em comparação com igual período de 2025.

O levantamento também aponta que o faturamento do mercado segurador cresceu 5,7% em abril e acumulou alta de 6,8% entre janeiro e abril. Apenas o seguro Rural apresentou retração no período, com queda de 2,5%.

Na avaliação do IRB+Inteligência, o seguro de Vida foi o principal responsável pela expansão do mercado, respondendo por quase 40% do crescimento registrado em abril. O segmento faturou R$ 7,1 bilhões no mês, alta de 6,5%, enquanto no acumulado do ano avançou 8,6%, impulsionado principalmente pelos seguros de Vida e Prestamista, que cresceram 10,5% e 14,5%, respectivamente.

O seguro Automóvel também apresentou desempenho positivo, com faturamento de R$ 5,2 bilhões em abril, crescimento de 7,8%, enquanto o segmento de Crédito e Garantia registrou a maior expansão percentual do mercado, avançando 52,6% no mês e 29,5% no acumulado do quadrimestre, impulsionado principalmente pelos seguros garantia destinados ao setor público.

Os Seguros Individuais Contra Danos mantiveram trajetória de crescimento, com alta de 9,6% no acumulado do ano. Já os Seguros Corporativos de Danos e Responsabilidades apresentaram estabilidade nas receitas e expressiva redução da sinistralidade, que encerrou o quadrimestre em 30%.

Outro indicador destacado pelo IRB+Inteligência é a melhora da rentabilidade técnica das seguradoras. A sinistralidade geral do mercado caiu para 37,9% entre janeiro e abril, refletindo redução nas despesas com indenizações em diversos segmentos, especialmente Rural, Patrimonial e Vida. Os dados também mostram crescimento das operações de resseguro. As cessões totalizaram R$ 10 bilhões no acumulado do ano, alta de 6,1%, com o segmento de Automóvel respondendo por mais de 82% desse avanço.

A leitura da CNseg complementa esse cenário ao mostrar que, além da evolução dos resultados financeiros das seguradoras, o setor continua ampliando sua capacidade de proteção à sociedade. Segundo a entidade, o mercado destinou quase R$ 85 bilhões em indenizações, benefícios, resgates e sorteios entre janeiro e abril de 2026, reforçando seu papel no amparo financeiro de famílias, empresas e atividades econômicas.

No mesmo período, a arrecadação do mercado, excluindo Saúde Suplementar, alcançou quase R$ 140 bilhões em prêmios de seguros, contribuições de previdência aberta e títulos de capitalização. Embora o resultado tenha ficado 0,8% abaixo do registrado no primeiro quadrimestre de 2025, a CNseg destaca que o desempenho foi influenciado pelo ambiente de juros elevados, pela desaceleração da economia e pelas mudanças tributárias, especialmente na Previdência Aberta.

Assim como o levantamento do IRB+Inteligência, os dados da CNseg mostram que os principais motores de crescimento continuam concentrados nos seguros de Pessoas, Automóvel e Garantia. Nos seguros de Danos e Responsabilidades, a arrecadação alcançou R$ 47,4 bilhões, alta de 4,6%. O seguro Garantia foi o principal destaque, com crescimento de 27,2%, seguido pelos seguros Habitacional, que avançou 11,4%, Garantia Estendida, com alta de 8,4%, e Automóvel, que movimentou R$ 20,3 bilhões, crescimento de 6,6%.

Nos seguros de Pessoas, a arrecadação chegou a R$ 27,3 bilhões, avanço de 8,9%, impulsionada principalmente pelo seguro de Vida, que ultrapassou R$ 13 bilhões em prêmios e cresceu 10,6%, resultado alinhado ao protagonismo apontado pelo IRB+Inteligência para esse segmento.

Em relação aos pagamentos aos consumidores, a CNseg informa que houve crescimento de 17,1% nas indenizações do seguro Habitacional, de 24,9% nos seguros de Crédito, de 8,5% na Capitalização e de 6% nos Seguros de Pessoas, evidenciando a capacidade do setor de cumprir sua função social mesmo em um ambiente econômico mais restritivo.

Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, os resultados demonstram a solidez da atividade seguradora. “Os resultados indicam que, mesmo diante de um ambiente macroeconômico menos favorável, o mercado segurador mantém capacidade de geração de receitas e continua desempenhando papel relevante na proteção financeira de famílias, empresas e atividades econômicas.”

Embora utilizem metodologias distintas, os estudos do IRB+Inteligência e da CNseg convergem ao indicar que o mercado segurador brasileiro permanece em trajetória de crescimento sustentável. Enquanto o levantamento do IRB evidencia o fortalecimento da rentabilidade das seguradoras, impulsionado pela melhora da sinistralidade e pela expansão dos ramos de Vida, Automóvel e Garantia, a análise da CNseg reforça o impacto desse desempenho na economia ao destacar o elevado volume de recursos devolvidos à sociedade na forma de indenizações, benefícios e resgates.

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