A Inteligência Artificial (IA) já faz parte da rotina das seguradoras, mas transformar a tecnologia em ganhos reais para os negócios ainda é um dos principais desafios do setor. É o que aponta o Relatório Global de Seguros de Propriedade e Acidentes (P&C) 2026, da Capgemini, que analisa como as empresas podem converter o uso da IA em uma vantagem competitiva sustentável no longo prazo.
O estudo mostra que a adoção da tecnologia deixou de ser a principal barreira. Agora, o desafio está em integrar a IA aos processos estratégicos das organizações, criando uma estrutura capaz de combinar a capacidade analítica das máquinas com a experiência humana.
Segundo a pesquisa, as seguradoras precisam acelerar sua evolução em três frentes principais: alinhar a estratégia de negócios ao uso da IA, fortalecer a infraestrutura tecnológica e de dados, e estabelecer uma governança capaz de coordenar o uso da tecnologia de forma ética e eficiente. O desenvolvimento de talentos e a preparação da força de trabalho também aparecem como fatores essenciais para o sucesso dessa transformação.
Os números mostram que a IA já está amplamente presente no mercado. Em média, 87% dos profissionais do segmento de seguros de propriedade e acidentes utilizam ferramentas de Inteligência Artificial Generativa disponíveis ao público. Entre os clientes, 73% afirmam se sentir muito confortáveis com o uso da tecnologia para a oferta de serviços proativos pelas seguradoras.
Apesar da ampla adoção, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para medir os benefícios obtidos. O relatório revela que 42% das seguradoras não acompanham os resultados gerados pela IA. Além disso, apenas 40% dos líderes do setor consideram que a tecnologia tem atendido plenamente às expectativas. Outro obstáculo relevante é a governança: 55% das seguradoras apontam a falta de clareza sobre responsabilidades e atribuições relacionadas às iniciativas de IA como uma das principais barreiras para ampliar seu uso.
O estudo também identificou um grupo de seguradoras que tem se destacado na utilização da tecnologia. Representando cerca de 10% do mercado global de seguros de propriedade e acidentes, essas empresas alcançaram crescimento de receita 21% superior e valorização das ações 51% maior entre 2021 e 2024, em comparação com concorrentes mais tradicionais.
De acordo com o diretor para Seguros da Capgemini Brasil, Gustavo Leança, os resultados demonstram que a inovação precisa ser conduzida de forma estratégica pelas lideranças. “A inovação precisa vir de cima, de maneira executiva, e se espalhar de forma ordenada e organizada pela TI. A chave para a liderança de mercado está em identificar processos estratégicos onde a capacidade humana e a inteligência da tecnologia agregam mais valor em conjunto”, afirma.
O relatório propõe ainda um novo modelo para o futuro do setor, chamado de “seguradora centrada em especialistas”. Nesse formato, a liderança define diretrizes estratégicas para a colaboração entre pessoas e IA, enquanto especialistas humanos estabelecem critérios e supervisionam as atividades executadas por sistemas inteligentes. A tecnologia passa a assumir tarefas de grande volume, mas questões mais complexas continuam sob responsabilidade humana.
Outro papel destacado pelo estudo é o dos chamados gestores de orquestração, profissionais responsáveis por conectar a estratégia de negócios às iniciativas de IA e garantir que a tecnologia seja aplicada de forma consistente em toda a organização.
A pesquisa teve abrangência global e contou com entrevistas realizadas em 18 países, incluindo o Brasil. Foram ouvidos 344 executivos seniores de seguradoras, 809 profissionais do setor, entre corretores, analistas de sinistros, atendentes e subscritores, e 1.113 consumidores, abrangendo mercados das Américas, Europa e Ásia-Pacífico.





