O crescimento da frota de veículos elétricos em diversos países tem levado seguradoras a aprimorar seus modelos de avaliação de risco e precificação, reduzindo parte dos desafios de rentabilidade enfrentados nos primeiros anos de expansão desse mercado. A conclusão é de um estudo divulgado pelo Swiss Re Institute, que analisa a evolução da segurabilidade dos veículos elétricos em mercados mais maduros, como Noruega e China.
Segundo o levantamento, os veículos elétricos continuam apresentando custos de reparação superiores aos dos automóveis movidos por motores a combustão, mas a diferença vem diminuindo à medida que oficinas, seguradoras e fabricantes acumulam experiência com a tecnologia.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o custo médio de reparação de um veículo elétrico foi cerca de 25% superior ao de um veículo convencional em 2025, percentual inferior aos 30% registrados no ano anterior. Tendência semelhante foi observada na Alemanha, França e Reino Unido.
O estudo explica que os principais fatores responsáveis pelos custos mais elevados são as baterias, os sistemas de alta tensão, sensores de assistência à condução, diagnósticos eletrônicos complexos e a necessidade de oficinas especializadas. Apesar disso, os pesquisadores destacam que o avanço da disponibilidade de dados tem permitido às seguradoras precificar os riscos de forma mais precisa, considerando características específicas de cada modelo de veículo.
Um dos pontos que chama atenção no relatório é que os veículos elétricos não apresentam, necessariamente, maior frequência de acidentes quando comparados aos veículos a combustão. Na China, onde os índices de sinistralidade são mais elevados, o fenômeno está associado principalmente ao uso intensivo dos chamados veículos de nova energia em aplicativos de transporte e operações logísticas.
Já em países europeus, os resultados apontam cenário diferente. Na Alemanha, a frequência de sinistros em seguros compreensivos de veículos elétricos ficou entre 10% e 15% abaixo da observada em veículos equivalentes movidos a combustão. Na Noruega, a taxa de acidentes por quilômetro rodado foi 17% menor entre os elétricos. Os autores observam que tecnologias embarcadas de assistência ao motorista ajudam a reduzir acidentes, embora aumentem os custos quando ocorre um sinistro devido ao valor elevado dos componentes eletrônicos.
A Noruega, considerada o mercado mais avançado do mundo em adoção de veículos elétricos, tornou-se um importante laboratório para as seguradoras. Em 2025, os elétricos representaram 96% das vendas de carros novos no país. Durante os primeiros anos de crescimento acelerado da tecnologia, as seguradoras enfrentaram dificuldades para precificar adequadamente os riscos, o que contribuiu para o aumento dos índices de sinistralidade do mercado.
Com o passar do tempo, porém, o setor passou a utilizar modelos mais sofisticados de segmentação de risco, considerando características específicas dos veículos e dos perfis dos condutores. Paralelamente, houve investimentos em redes de reparação e melhorias nos processos de regulação de sinistros. Como resultado, os indicadores de rentabilidade voltaram a apresentar níveis mais saudáveis, mesmo com a forte participação dos veículos elétricos na frota nacional.
Projeto dos veículos também influencia o seguro
O relatório destaca ainda que o próprio desenho dos veículos elétricos pode contribuir para tornar o seguro mais acessível. Atualmente, as baterias podem representar até 40% do valor de um veículo elétrico novo. Em muitos casos, danos relativamente pequenos exigem a substituição completa do conjunto, elevando significativamente os custos dos sinistros. Por isso, entidades do setor segurador e fabricantes vêm defendendo conceitos de “design voltado à segurabilidade”, que incluem baterias modulares, componentes mais acessíveis para manutenção e processos padronizados de diagnóstico e reparação.
O estudo indica que a cooperação entre seguradoras, montadoras e oficinas especializadas será fundamental para garantir a expansão sustentável do mercado de veículos elétricos nos próximos anos.





