O seguro vem ganhando espaço como ferramenta estratégica na gestão de capital dos bancos. Entre 2020 e 2024, o uso de estruturas apoiadas pelo mercado de seguros para transferência de risco cresceu mais de dez vezes, segundo o relatório “Opportunity in Flux”, elaborado pela Howden, corretora global especializada em seguros de alta complexidade.
De acordo com o estudo, que analisa o mercado global de crédito e risco político, o volume de operações de transferência significativa de risco, conhecidas pela sigla SRT, passou de cerca de € 500 milhões em 2020 para aproximadamente € 6 bilhões em 2024. O valor equivale a cerca de R$ 36 bilhões.
Na prática, essas operações permitem que instituições financeiras transfiram parte do risco de crédito de suas carteiras para o mercado segurador. Com isso, os bancos conseguem reduzir a exigência de capital regulatório, melhorar a eficiência no uso dos recursos e ampliar sua capacidade de concessão de crédito.
O avanço desse tipo de estrutura ocorre em um cenário de mudanças nas regras de capital, aumento da complexidade na gestão de riscos e maior incerteza econômica e geopolítica. Nesse ambiente, bancos e instituições financeiras buscam alternativas para proteger seus balanços, manter solidez e preservar espaço para novas operações.
Segundo o CEO da Howden Brasil, Andoni Hernández, o crescimento dessas operações mostra que o seguro passou a ter uma função mais ativa na gestão financeira das instituições. “O crescimento dessas operações mostra que o seguro passou a ter um papel mais ativo na gestão de capital dos bancos, especialmente em estruturas que exigem otimização de risco e eficiência no uso de recursos”, afirma o executivo.
A transferência significativa de risco é uma prática utilizada por bancos para reduzir a exposição a determinados riscos de crédito sem, necessariamente, vender os ativos que compõem suas carteiras. O seguro entra como uma camada de proteção, assumindo parte desses riscos mediante condições previamente definidas.
Para o mercado de seguros, o movimento representa uma oportunidade de atuação em operações mais sofisticadas, especialmente nos segmentos de crédito, risco político e soluções estruturadas. Já para os bancos, a ferramenta pode ajudar a equilibrar crescimento, controle de risco e cumprimento das exigências regulatórias.
Com o aumento da demanda por soluções de capital mais eficientes, a expectativa é que o uso de seguros em estruturas financeiras continue ganhando relevância nos próximos anos, especialmente em mercados sujeitos a maior volatilidade econômica, mudanças regulatórias e riscos geopolíticos.
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