O crescimento dos veículos elétricos e híbridos no Brasil já impacta diretamente o setor de seguros, que passa a incorporar novas coberturas, critérios técnicos e serviços especializados para acompanhar essa transformação. O tema é detalhado no guia “Veículos Eletrificados: desafios e oportunidades para o seguro”, lançado pela Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).
Elaborado pelo grupo técnico da entidade, o material reúne análises sobre o avanço da mobilidade elétrica, os desafios de infraestrutura no país e os impactos diretos no mercado de seguros.
Com a evolução da frota eletrificada, o seguro automóvel também evolui. Além das coberturas tradicionais, como colisão, roubo e responsabilidade civil, passam a ser incluídas proteções específicas, como cobertura para baterias de alta tensão, sistemas de recarga e assistência especializada. Outro ponto relevante é a necessidade de oficinas capacitadas para lidar com tecnologias mais complexas.
O integrante do Grupo de Trabalho de Veículos Eletrificados da Comissão de Auto da FenSeg, Marcelo Daparé, destaca que o avanço do setor exige uma visão mais ampla. Segundo ele, o seguro já está preparado para atender essa nova realidade, mas o desenvolvimento do mercado depende de fatores como infraestrutura de recarga, normas de segurança, logística eficiente e qualificação técnica.
O guia também chama atenção para a importância de regras claras. Entre os avanços recentes está a diretriz nacional publicada em 2025 pelo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares, que estabelece parâmetros de segurança para garagens e locais com pontos de recarga, contribuindo para reduzir riscos e padronizar práticas no país.
No Estado de São Paulo, a regulamentação da instalação de carregadores em condomínios reforça a necessidade de planejamento técnico e alinhamento entre moradores, síndicos e especialistas, fator que também influencia diretamente o risco e o custo do seguro.
Apesar do avanço, ainda há desafios. A infraestrutura de recarga concentrada em algumas regiões, o custo de importação de peças e a necessidade de mão de obra especializada impactam o valor de manutenção dos veículos e, consequentemente, o preço do seguro.
Diante desse cenário, as seguradoras vêm ajustando seus modelos de análise de risco, considerando características próprias dos veículos eletrificados, como maior valor de reposição e menor índice de roubo em comparação aos modelos a combustão.






