A obrigatoriedade de identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho passa a ser uma realidade para as empresas brasileiras a partir de maio, com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, do Ministério do Trabalho e Emprego. A medida amplia a responsabilidade das organizações ao incluir, de forma estruturada, a saúde mental no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Na prática, a nova exigência determina que fatores como estresse crônico, assédio, sobrecarga de trabalho, metas agressivas, jornadas extensas e ambientes organizacionais disfuncionais sejam mapeados e acompanhados de forma contínua. O objetivo é prevenir afastamentos e promover condições mais saudáveis no ambiente corporativo, em um cenário de crescimento dos casos relacionados à saúde mental.
A proximidade do prazo de entrada em vigor acende um alerta para empresas que ainda não estruturaram ações internas voltadas ao tema. A adequação à norma não se limita a iniciativas pontuais, mas exige processos consistentes de gestão de riscos, com impacto direto na governança e no cumprimento de exigências legais.
Na avaliação da Head de Benefícios Corporativos da Korsa Riscos & Seguros, Iolanda Marques, a mudança representa um avanço importante na forma como o tema é tratado pelas organizações. “A nova NR-1 marca um avanço ao transformar a saúde mental em um tema estruturado dentro da gestão de riscos. Não é mais uma iniciativa isolada de bem-estar, mas uma agenda estratégica, com impacto direto em compliance e sustentabilidade do negócio”, afirma.
Especialistas apontam que empresas que se anteciparem tendem a reduzir impactos operacionais e fortalecer sua cultura organizacional, evitando custos associados a afastamentos e passivos trabalhistas. Diante desse novo cenário regulatório, a saúde mental deixa de ser apenas uma pauta de apoio ao colaborador e passa a ocupar um papel central na estratégia das empresas, exigindo preparo, disciplina e uma mudança efetiva na cultura corporativa.






