Riscos secundários elevam perdas com catástrofes e pressionam seguros globais, aponta Swiss Re

Os chamados riscos secundários, como incêndios florestais, tempestades severas e inundações, dominaram o cenário global de catástrofes naturais em 2025, impulsionando perdas bilionárias e reforçando a necessidade de adaptação e mitigação para garantir a sustentabilidade do mercado de seguros.

De acordo com levantamento da Swiss Re, os incêndios florestais em Los Angeles geraram perdas seguradas recordes de cerca de US$ 40 bilhões, enquanto as tempestades convectivas severas somaram US$ 51 bilhões. Apesar disso, o ano foi marcado pela ausência de grandes furacões atingindo os Estados Unidos, um fator que ajudou a conter perdas ainda maiores.

Ao todo, as perdas seguradas globais com catástrofes naturais somaram US$ 107 bilhões em 2025, abaixo da tendência de longo prazo, mas ainda em patamares elevados devido à alta frequência de eventos em áreas urbanas densamente povoadas.

O head de Catastrophe Perils da Swiss Re, Balz Grollimund, alerta que o resultado mais moderado não deve ser interpretado como redução do risco. “As perdas relativamente moderadas em 2025 respondem mais a uma variabilidade favorável do que a uma diminuição real do risco. Se voltarem aos níveis históricos, podem alcançar cerca de US$ 148 bilhões em 2026”, afirma. Segundo ele, em um cenário extremo modelado, as perdas podem chegar a US$ 320 bilhões. “À medida que a exposição cresce, a tendência de aumento das perdas é estrutural, e identificar os fatores de risco é essencial para agir antes que os prejuízos ocorram”, completa.

Na mesma linha, o CEO de Property & Casualty Reinsurance da Swiss Re, Urs Baertschi, destaca o impacto potencial de eventos extremos. “Um ano com perdas máximas pode mais que dobrar os prejuízos recentes, superando os US$ 300 bilhões. A conscientização sobre riscos, aliada a medidas de adaptação e a uma cobertura adequada de seguros e resseguros, é fundamental para a resiliência das sociedades”, diz. “Protegemos contra eventos de baixa frequência e alta severidade, que podem transformar rapidamente um ano estável em um recorde de perdas.”

O estudo também mostra que, entre 1970 e 2025, mais de 80% do crescimento das perdas seguradas relacionadas a eventos climáticos está ligado ao aumento da exposição, ou seja, mais ativos de alto valor sendo construídos em áreas de risco.

Regionalmente, os vetores de perdas variam. Na América do Norte, incêndios florestais e tempestades severas lideram o avanço, com crescimento anual de quase 14% nas perdas por incêndios. Na Europa, as tempestades convectivas representam mais da metade do aumento, enquanto na Ásia predominam as inundações. Já na Oceania, o crescimento é dividido entre tempestades e enchentes.

Ainda assim, a exposição não explica tudo. Mudanças climáticas e maior vulnerabilidade também têm acelerado perdas em algumas regiões. Na América do Norte, por exemplo, temporadas de incêndios mais longas e alterações nos padrões climáticos ampliam os riscos. Na Europa, menos da metade do crescimento das perdas com tempestades pode ser atribuída apenas à expansão urbana, indicando influência de fatores adicionais.

Outro ponto de atenção é a chamada lacuna de proteção. Em 2025, as perdas econômicas globais com catástrofes naturais chegaram a US$ 220 bilhões, sendo cerca de 49% cobertas por seguros, o maior nível já registrado pela Swiss Re. Ainda assim, a diferença entre perdas totais e seguradas permanece significativa, sobretudo em países emergentes, onde entre 80% e 90% dos prejuízos não têm cobertura.

O head do Swiss Re Institute e economista-chefe do grupo, Jérôme Jean Haegeli, explica a dinâmica. “Grande parte do aumento das perdas se deve a uma realidade simples: mais ativos valiosos estão sendo construídos em áreas de risco e os custos de reconstrução aumentaram. Ao mesmo tempo, riscos e vulnerabilidades estão evoluindo mais rápido do que a própria exposição em algumas regiões”, afirma. “Por isso, medidas de adaptação e mitigação bem estruturadas são decisivas para manter o seguro viável e reduzir a lacuna de proteção.”

Na América Latina, o cenário também preocupa. O CEO da Swiss Re Corporate Solutions, Guilherme Perondi, destaca o avanço dos riscos secundários na região. “Chuvas intensas, tempestades, inundações e granizo estão se tornando riscos relevantes em toda a América Latina. Ao mesmo tempo, as perdas seguradas ainda são baixas, o que indica que empresas e comunidades seguem subprotegidas”, afirma. “Fortalecer a resiliência por meio de maior conscientização, prevenção e soluções de seguro será fundamental diante do aumento da exposição e da volatilidade climática.”

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