Retorno do El Niño em 2026 amplia risco de eventos extremos no Brasil

A confirmação do retorno do El Niño em 2026 acende um alerta para a intensificação de eventos climáticos extremos no Brasil e reforça a necessidade de planejamento financeiro diante de um cenário de maior instabilidade. Análises meteorológicas recentes indicam que o aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial pode começar a se consolidar ainda no primeiro semestre, com potencial para provocar chuvas irregulares, tempestades severas, ondas de calor e períodos de seca em diferentes regiões do país ao longo do ciclo.

O fenômeno, que historicamente altera padrões atmosféricos e influencia diretamente o regime de chuvas na América do Sul, costuma estar associado a episódios de extremos meteorológicos e prejuízos significativos. A combinação entre maior variabilidade climática e alta concentração urbana amplia o risco de alagamentos, deslizamentos, danos estruturais e interrupções nas atividades econômicas.

Para o setor de seguros, o cenário aponta para uma mudança estrutural na forma de encarar o risco climático. O CEO da Seguralta, Gustavo Zanon, avalia que o debate deixou de ser pontual e passou a exigir abordagem estratégica. “Quando um fenômeno climático passa a ter recorrência e previsibilidade estatística, ele deixa de ser tratado como eventualidade. Isso exige planejamento financeiro estruturado, tanto por parte das famílias quanto das empresas”, afirma.

Segundo o executivo, os impactos econômicos de eventos extremos vão além dos danos materiais visíveis. “O prejuízo não está apenas na estrutura afetada. Está na paralisação da atividade, na perda de receita, na dificuldade de recomposição do fluxo de caixa. Em pequenos e médios negócios, alguns dias de interrupção podem comprometer a sustentabilidade da operação”, explica.

A perspectiva de intensificação dos eventos ao longo de 2026 também reposiciona o seguro dentro da estratégia de gestão de riscos corporativos. A revisão periódica das coberturas, a adequação das apólices ao perfil regional e a análise técnica das vulnerabilidades passam a integrar o planejamento empresarial. “Seguro não deve ser contratado após o susto. Ele precisa fazer parte da arquitetura de proteção patrimonial antes da crise”, destaca o CEO da Seguralta.

Em um contexto de maior instabilidade climática, especialistas apontam que temas como adaptação e resiliência tendem a ganhar espaço na agenda econômica nacional. O retorno do El Niño reforça a percepção de que eventos extremos deixaram de ser exceção e passam a integrar, de forma recorrente, o cenário de risco que impacta infraestrutura, cadeias produtivas e estabilidade financeira no País.

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